A má nutrição proteico-calórica (MNPC) ou desnutrição proteico-energética (DPE), consiste em um déficit energético devido a deficiência de todos os macronutrientes, podendo ser definida como um desequilíbrio celular entre o suprimento de energia e nutrientes e o uso destes para o crescimento, manutenção e funções específicas do corpo. Esta enfermidade pode ser repentina, gradual ou total. A gravidade varia de deficiências subclínicas até fraqueza absoluta. A pessoa que se encontra nesse estado de desnutrição costuma ter múltiplos órgãos e sistemas do corpo prejudicados.

De maneira mundial, os casos de DPE em países desenvolvidos geralmente são mais comuns em idosos institucionalizados e entre pacientes com distúrbios que reduzem o apetite ou que prejudicam a digestão, a absorção ou o metabolismo dos nutrientes. Já nos países em desenvolvimento, a incidência de DPE é maior em crianças que não consomem quantidades suficientes de proteínas e calorias.

Classificação da desnutrição


A DPE é classificada em três níveis, sendo eles, leve, moderado ou grave. A classificação é determinada calculando-se a porcentagem do peso esperado em relação à altura esperada utilizando-se padrões internacionais. Sendo assim, o nível leve é de 85% a 90%, o moderado de 75% a 85% e o grave menor que 75%.


Causas


Vários fatores podem gerar um quadro clínico de DPE. Dentre eles, estão:

Desmame precoce;

Fatores culturais;

Fatores socioeconômicos;

Renda familiar.

Para além disso, a desnutrição proteico-energética pode ser classificada em primária e secundária.


DPE primária


De forma geral, a classificação primária ocorre principalmente em crianças e idosos que não têm acesso aos nutrientes, apesar de que nos idosos uma causa frequente é a depressão. Nessas duas faixas etárias, a possibilidade de DPE primária são os jejuns ou anorexia nervosa, e em ambas, podem ser por maus-tratos.

Nas crianças, as duas formas de DEP primária crônica mais comuns são o Marasmo e a Kwashiorkor.


Marasmo – conhecida também como forma seca da DPE, o marasmo causa perda ponderal e depleção de músculos e gordura. Em países desenvolvidos, constitui a forma mais comum de DPE em crianças.

kwashiorkor – também chamado de forma molhada, inchada ou edematosa, é um risco que a criança tem após o abandono prematuro do aleitamento materno, em que geralmente ocorre quando a mãe tem um novo bebê e deixa de amamentar a outra criança.


Crianças com kwashiorkor tendem a ser mais velhas que aquelas com marasmo. O kwashiorkor também pode resultar de uma doença aguda, com frequência gastroenterite ou outra infecção, em crianças que já têm DPE. Uma dieta mais deficiente em proteínas que em energia pode ser uma causa mais comum de kwashiorkor do que de marasmo. Menos comum que o marasmo, o kwashiorkor tende a ser confinado a áreas específicas do mundo, como a zona rural da África, o Caribe e as ilhas do Pacífico. Nessas áreas, os alimentos básicos, como por exemplo, inhame, mandioca, batata-doce e banana verde são pobres em proteínas e ricos em carboidratos. No kwashiorkor, as membranas celulares fracas causam extravasamento de líquidos e proteínas intravasculares, resultando em edema periférico.

No marasmo e no kwashiorkor, a imunidade mediada por célula é prejudicada, aumentando a possibilidade de infecções, tais como: pneumonia, gastroenterite, otite média, infecções do trato urinário e sepse são as mais comuns. As infecções resultam na libertação de citocinas, que causam anorexia, pioram a perda de massa muscular e provocam diminuição acentuada nos níveis de albumina sérica.

Inanição – consiste na completa falta de nutrientes. É ocasionalmente voluntária como na anorexia, mas, geralmente decorre de fatores externos, por exemplo, fome e exposição a áreas desertas.


DPE secundária


A desnutrição proteico-energética (DPE), normalmente, ocorre devido a:


Distúrbios que afetam a função gastrointestinal – esses distúrbios podem interferir na digestão, absorção ou transporte linfático dos nutrientes.


Distúrbios de emaciação – neste caso o catabolismo causa liberação excessiva de citocinas, resultando em desnutrição por anorexia e caquexia. A Insuficiência cardíaca terminal pode provocar caquexia cardíaca, uma forma grave de desnutrição, com taxa de mortalidade extremamente alta. Alguns fatores que podem contribuir para a causa de caquexia cardíaca são a congestão hepática passiva, edema do trato intestinal e, na doença avançada, aumento das necessidades de oxigênio em decorrência do metabolismo anaeróbico. Distúrbios críticos podem diminuir o apetite ou prejudicar o metabolismo dos nutrientes.

Consequências e tratamentos


A DPE gera várias mudanças fisiológicas no organismo. Quanto mais grave o caso, mais severas serão as repercussões orgânicas. Dentre as principais alterações, podemos mencionar:

Emagrecimento;


Grande perda muscular e dos depósitos de gordura;

Alterações psíquicas e psicológicas;

Alterações de cabelo e de pele;

Alterações sanguíneas;

Alterações ósseas, como a má formação;

Alterações no sistema nervoso, como estímulos nervosos prejudicados, número de neurônios diminuídos, etc.;

Alterações nos demais órgãos e sistema respiratório, imunológico, renal, cardíaco, hepático, intestinal etc.;

Maiores chances de infecções.

Tratamento


Pode ser tratado com uma alimentação balanceada, de preferência por via oral. Suplementos alimentares líquidos, de preferência sem lactose, podem ser utilizados quando alimentos sólidos não podem ser consumidos adequadamente. A diarreia frequentemente complica a alimentação oral porque a inanição aumenta a probabilidade de o trato gastrointestinal fazer a translocação de bactérias para as placas de Peyer, facilitando a diarreia infecciosa. Se a diarreia persistir, pode-se oferecer iogurte no lugar de leite, assim como suplemento vitamínico.

DPE grave e inanição prolongada necessitam de tratamento hospitalar com dieta controlada. A prioridade é a correção das alterações hidroeletrolíticas e o tratamento das infecções. Um estudo recente sugeriu que as crianças podem se beneficiar de profilaxia com antibióticos. Após um período de tratamento, a prioridade é fornecer macronutrientes por via oral ou, se necessário, por meio de sonda de alimentação, sonda nasogástrica ou sonda de gastrostomia. A nutrição parenteral é indicada no caso de má absorção grave.

Outros tratamentos podem ser necessários para corrigir deficiências específicas, as quais podem se tornar evidentes com o aumento de peso. Para evitar deficiências, os pacientes devem continuar consumindo micronutrientes em quantidade equivalente a duas vezes as ingestões diárias recomendadas, até que a recuperação esteja completa.

Situações que envolvem a desnutrição também podem aparecer em pessoas que fazem tratamento oncológico, tendo em vista que os medicamentos podem provocar vômitos constantes e outros sintomas que contribuem para esta causa. Sendo assim, o profissional da área da nutrição precisa estar atualizado sobre as melhoras formas de tratamento de acordo com as necessidades específicas do paciente.

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Fonte: Sanar e Manual MSD

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