A dieta intermitente é popular aqui no Brasil, e a ideia consiste em jejuar para perder peso. Esse método surgiu após o médico inglês Michael Mosley publicar o livro "A Dieta dos 2 Dias", em 2013. Mas, será que ficar um certo tempo do dia sem comer nada realmente faz com que as pessoas percam o peso que tanto desejam? Saiba o que os especialistas têm a dizer a respeito do assunto.


Segundo a nutricionista Mariana Del Bosco, integrante do site VivaBem, as indicações científicas são difíceis de avaliar, pois existem vários métodos sendo feitos e estudados. Ela também esclarece que o teste feito com animais apresentou benefícios em enfermidades degenerativas, cardiovasculares, câncer, obesidade e diabetes. Já em humanos a restrição prossegue e o jejum intermitente obteve resultados parecidos. Além disso, a nutricionista ressalta que não é fácil seguir a dieta por muito tempo.


Como é o método de Michael Mosley?


De acordo com o livro do autor a dieta intermitente sugere o método 5 por 2, em que a pessoa se alimenta normalmente, porém sem exagerar, durante cinco dias e nos outros dois faz um semi-jejum. No semi-jejum, a quantidade de calorias seria de 500 calorias para os homens e de 600 para as mulheres.


A dieta apresentada por Mosley, fez sucesso e celebridades como Gwyneth Paltrow, Jennifer Aniston e Jennifer Lopez, aderiram o método. Com isso, apareceram outras vertentes da dieta, cada uma com uma janela alimentar diferente. Hoje, o jejum intermitente pode ser dividido em duas subclasses: o jejum de dias alternados e a alimentação restrita por tempo.


Os tipos de dieta intermitente


Em maio de 2017, a atriz Deborah Secco concedeu entrevista para a revista Glamour e contou que chegou a ficar mais de 20 horas sem comer: "Quando eu chegava no estágio de fome, comia seis bifes com queijo, quatro ovos, bacon... Daí só sentia fome dez horas depois. Quando quis secar, cheguei a comer de 23 em 23 horas. "


Mesmo com as variações da dieta, a mais comum é a de dias alternados, no qual a pessoa come todos os dias, com a diferença que nos dias de jejum é aconselhado ingerir uma pequena refeição de cerca de 500 calorias.


Já na dieta em que a alimentação é restrita por tempo, as calorias não são restritas e a composição dietética não é alterada. Mas comer é confinado a uma janela de, normalmente, 8, 10 ou 16 horas por dia. No 16 por 8, por exemplo, o indivíduo fica 16 horas de jejum seguidas e tem 8 horas de alimentação liberada. Nesse formato, janta-se às 21h, aproveita as horas do sono e, então, a próxima refeição vai ser só às 13h do dia seguinte.


Em outros métodos o jejum é ainda maior, com jejum de 18 horas, comendo somente no intervalo de 6 horas ou, como por exemplo, o caso da atriz Debora Secco, fazendo 23 horas de jejum e comendo apenas 1 hora.


Beber está liberado durante o jejum?


Durante o período de jejum completo, pode-se beber água, chás sem açúcar ou café. Mas, quando se trata da janela da alimentação, a indicação de consumo vai depender de cada um.


Vale ressaltar, que é fundamental ter o devido acompanhamento de um profissional da área que leve em consideração os hábitos, a rotina e a viabilidade de se adotar esse tipo de dieta. "A partir daí, em um segundo momento, seria estruturada uma rotina alimentar que permita que, ainda com a adoção do jejum, as necessidades nutricionais do indivíduo sejam atendidas", comenta a nutricionista.


O que comer?


Como foi mencionado acima, o ideal é que a alimentação após o jejum seja equilibrada e composta de alimentos reguladores como verduras, legumes e/ou frutas; energéticos sendo eles, carboidratos ricos em fibras; e construtores como as proteínas magras.


Outro detalhe é que a dieta intermitente só é eficaz se as refeições feitas no período de "janelas de alimentação" tiverem alto valor nutricional. Nutricionistas também ressaltam a inclusão de gorduras consideradas essenciais contidas em peixes, nozes e sementes, proteínas magras, grãos inteiros, carboidratos, e muitos vegetais e frutas, para que o corpo consiga ter as quantidades certas de fibra dietética, vitaminas e minerais.


Como funciona os jejuns mais comuns de dias alternados?


Dieta 1:1: neste caso, geralmente, a pessoa se alimenta em dia sim, dia não. Nos dias de "jejum", só pode ser ingerido em torno de 500 calorias em uma pequena refeição. Não há restrição no que se deve comer, contando que esteja dentro da quantidade de calorias recomendadas.


Dieta 5:2: o método criado por Michael Mosley é o mais conhecido entre os tipos de jejum intermitente. Como foi explicado antes, nesse método a pessoa se alimenta por 5 dias e nos outros 2 dias da semana só consome 500 calorias. Esta dieta tem sido associada com a melhora do reparo no DNA e da função cerebral. Houve também perda de gordura maior segundo estudo da Universidade de Manchester, publicado em 2011. O autor do livro e da dieta intermitente também perdeu 9 kg em 12 semanas e viu seus níveis de açúcar no sangue e colesterol voltarem ao normal.


Dieta 6:1: nesta dieta o jejum é por um dia e alimentação regular nos outros 6 dias. Realizada por Chris Martin, vocalista do Coldplay, ela não é muito recomendada, pois no jejum a pessoa não come absolutamente nada só bebe água e isso pode causar perda de músculos.


Dieta com alimentação restrita por um tempo


Duas refeições por dia: esta dieta foi elaborada pelo personal trainer Max Lowry, e consiste em pular uma refeição, café da manhã ou jantar, e estender o jejum noturno, período em que a pessoa está dormindo, por cerca de 16 horas. Um dos benefícios da dieta é que ela se adequa mais fácil na rotina.

Dieta do guerreiro: como o próprio nome já diz, essa dieta não é tão fácil, e envolve somente uma refeição por dia, sendo ela no meio da tarde. A finalidade desta dieta é fazer o mesmo que nossos ancestrais faziam, em que comiam sua caça à noite para distribuir o comer de menos ou demais durante o dia. A dieta também dá prioridade para os alimentos integrais.

"How to Lose Weight Well": em tradução para o português significa "como perder peso de forma saudável". Quem desenvolveu esta dieta foi o médico britânico Xand van Tulleken, ele perdeu mais de 40 kg usando o seu próprio método, que também possui alimentação no meio da tarde. Também é realizado duas refeições por dia com o total de 1200 calorias ou três com 1500 calorias.


Equilíbrio metabólico: criada pelo médico alemão Wolf Funfack, o método promete melhorar a qualidade do sono, a digestão e os níveis de energia com um jejum de cinco horas entre refeições por três meses.


16:8: também chamado de jejum de oito horas, a dieta indica 16 horas de jejum e oito horas de janela alimentar.

Fazer jejum emagrece mesmo?


Um vasto estudo publicado no ano de 2017 no Journal of the International Society of Sports Nutrition esclarece que o jejum intermitente é eficaz para a perda de peso como a restrição diária de calorias, ou seja, a dieta tradicional, especialmente entre as pessoas que possuem excesso de peso e obesidade.


Entretanto, os resultados podem variar de acordo com as circunstâncias de cada um e também da quantidade de peso que o indivíduo quer ou precisa perder. Isso acontece porque o jejum intermitente não é uma "dieta" propriamente dita, mas, sim um programa de alimentação, que busca adaptações alimentares a longo prazo.


Por ser uma prática difícil, muitos desistem rápido do jejum. Outro ponto importante é que se a pessoa para de jejuar, o peso volta, provocando o conhecido efeito sanfona. Sendo assim, a longo prazo o método só será eficaz se a pessoa conseguir manter esse estilo alimentar saudável e com poucas calorias.


É seguro fazer jejum intermitente?


Em certas situações como gravidez, amamentação, diabetes ou outra condição que exige atenção maior em relação aos níveis de açúcar no sangue, é melhor evitar. Isso porque um longo período de restrição poderia induzir a hipoglicemia, que nada mais é do que a queda dos níveis de glicose no sangue, além do risco de trazer consequências mais sérias.


Algumas pessoas também podem ter resultados negativos com o jejum, como por exemplo, dores de cabeça, tonturas e falta de concentração. Esses grupos mais vulneráveis, geralmente, incluem idosos, menores de 18 anos, quem está sob medicação, com baixo índice de massa corporal, e quem possui problemas emocionais ou psicológicos no que diz respeito aos alimentos, como casos de distúrbios alimentares.


Quais são os benefícios do jejum intermitente?


O principal benefício é a perda de peso, claro, mas diversos estudos ligaram o jejum intermitente a um risco menor de doenças cardíacas e câncer, uma vida ativa prolongada, alguma proteção contra doenças relacionadas à idade e um efeito protetor contra o declínio cognitivo.


Outro exemplo de estudo foi dos pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estado Unidos, realizado em camundongos. Eles perceberam que dois a cinco dias de jejum por mês diminuíram os riscos de diabetes, câncer e doenças do coração nos animais. Após esse experimento a pesquisa se expandiu para pessoas e os pesquisadores observaram uma redução nos fatores de risco dessas doenças em humanos.


Valter Longo, autor do estudo, esclarece que o jejum diminui a insulina no corpo, assim como outros compostos ligados ao câncer e a diabetes. Ao reduzir esses hormônios, o crescimento e desenvolvimento das células também são retardados, o que reduz os fatores dessas doenças e o processo de envelhecimento.


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Fonte: VivaBem

Imagem: 123RF