A prisão de ventre não é uma doença, mas, pode trazer desconforto para as pessoas que possuem o popularmente chamado ‘intestino preso’. Essa dificuldade de evacuar durante as idas no banheiro, normalmente, é causada por dieta pobre em fibras, pouca ingestão de líquidos, sedentarismo e consumo excessivo de proteína animal. E, apesar do nutricionista estar sempre ligado à dietas e maneiras de emagrecer faz parte do trabalho do profissional entender o que está provocando ou se o paciente possui a prisão de ventre para que a prescrição alimentar possa ser realizada.


Nesse sentido, a nutricionista Paulina Nunes da Silva explica que a prisão de ventre é definida quando ocorre menos de três evacuações por semana, fezes irregulares ou difíceis, muito esforço para esvaziar o intestino, além da sensação de que você é incapaz de esvaziar o intestino completamente.


Além das causas mencionadas acima a nutricionista também ressalta outras que podem estar ligadas a prisão de ventre "Outras causas frequentes são mudanças na vida ou na rotina, tais como gravidez, envelhecimento e viagens; uso excessivo de laxantes; ignorar a vontade de evacuar e não beber bastante líquidos" esclarece.

Além disso, Paulina, ressalta que certas doenças ou condições do paciente podem contribuir com a dificuldade de evacuar, tais como: síndrome do intestino irritável, a ausência de exercícios físicos, doença de Parkinson, diabetes e acidente vascular cerebral, sendo o mais comum. Os medicamentos também podem interferir e provocar a constipação.


A nutricionista explica que a constipação pode levar a pessoa a sentir vários sintomas, como: cólicas abdominais; dificuldade para eliminar gases; náuseas; distensão abdominal; dor anal devido ao ressecamento das fezes e o aumento do bolo fecal, o que provoca fissuras anais que podem sangrar.

Já em relação ao ponto de vista do psicólogo Leomar Junio Pinto Lopes, dentro da psicanálise há três estruturas fundamentais em torno da neurose que é a estrutura obsessiva, a histeria, e a fobia. Dentro da estrutura obsessiva atrelada a fase anal segundo a concepção de Freud, há dois tipos de obsessivos, um deles se caracteriza como mais retentivos que são aquelas pessoas seguras em relação ao dinheiro, que controlam muito.


"Os obsessivos que são mais retentivos e seguram muito o dinheiro, geralmente, tem uma prisão de ventre psicológica, ou seja, há uma dificuldade gigantesca de ir ao banheiro, porque como a fase anal está ligada ao controle do esfíncter, para Freud aquela pessoa vai controlar tanto a ida no banheiro que pode até desenvolver um fecaloma" explica Leomar.


O psicólogo também diz que é importante ressaltar que dentro da psicanálise essa explicação para a prisão de ventre é algo hipotético tendo em vista que o estudo não se baseia em pesquisa estatística, mas em estudos clínicos, ou seja, Freud desenvolveu essa concepção devido aos relatos dos pacientes que iam se repetindo até que o estudo foi teorizado. "Até hoje a pesquisa da psicanálise básica que formam essas teorias são pesquisas de divã, ou seja, as sessões de cada paciente é que iam teorizando" afirma.


Tratamento


Para tratar a prisão de ventre a melhor maneira é corrigir as causas do distúrbio. O mais recomendado é fazer mudanças na dieta e no estilo de vida. Na primeira opção o ideal é começar a ingerir mais fibras como legumes, verduras, frutas, cereais integrais, dentre outros; consumir alimentos com propriedades laxativas, como o mamão e a ameixa; comer farelos em pó misturados com alimentos ou então diluídos em água ou em sucos; os suplementos com fibra na forma de biscoitos ou comprimidos também são uma boa pedida.

A segunda alternativa é beber bastante liquido todos os dias, em torno de dois litros por dia caso a pessoa não tenha nenhuma contraindicação médica. A prática de atividades físicas também é fundamental para manter o intestino funcionando no ritmo certo.


Recomendações


Dentre as recomendações para eliminar a prisão de ventre estão:

Ir ao banheiro sempre que der vontade e não adiar as idas;

Ingerir muito liquido, mas, bebidas alcoólicas com moderação pois ajudam a desidratar as fezes;

Comer frutas, de preferência com casca entre as refeições;


Tente administrar as situações de estresse e as crises de ansiedade, assim como as formas de controle;


Também é preciso estar ciente de que a ingestão de farelo em pó pode aumentar a produção de gases;

Procurar assistência de um profissional especializado caso seja notado mudanças significativas nos hábitos intestinais;


Não deixe também de ir ao médico, se as fezes estiverem muito ressecadas ou muito finas, se houver sinais de sangramento, ou se você estiver emagrecendo sem nenhuma explicação aparente;


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Fonte: Drauzio Varella, Paulina Nunes da Silva CRN: 7229 e Leomar Junio Pinto Lopes CRP: 09/9733

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