Outubro é o mês de conscientização de combate ao câncer de mama e, por isso, é importante ressaltar a importância do nutricionista nesta área da saúde. Auxiliar, planejar, organizar e manter a rotina de nutrientes no dia a dia do paciente é uma das principais atividades dos serviços prestados por esses profissionais, além de garantir a saúde e bem-estar do enfermo, tendo como responsabilidade a prevenção de desnutrição no corpo do indivíduo afetado pelo câncer.

Portanto, o site Minuto Nutrição, em entrevista com Larissa Vaz Gonçalves, Nutricionista da Associação de Combate ao Câncer em Goiás, do Hospital Araújo Jorge, Mestre em Ciências da Saúde e Pesquisadora em Nutrição e Câncer de Mama, destaca o papel do especialista na atuação contra não só ao câncer de mama, mas aos diversos tipos de câncer. Dando ênfase de como é o trabalho, o que deve ser feito para a reeducação alimentar, quais efeitos colaterais que o câncer pode trazer ao organismo do paciente e, como preparar o cardápio e suas restrições. Confira a entrevista a seguir:

Minuto Nutrição: Qual é a função do nutricionista na área de oncologia?

Larissa Vaz Gonçalves: O nutricionista que é especialista em nutrição oncológica visa viabilizar o paciente para que ele consiga prosseguir com êxito no tratamento oncológico, pois o tratamento antineoplásico pode implicar uma depleção acentuada no estado nutricional, no qual observa-se a ocorrência de sintomas como náuseas, vômitos, anorexia e outros.

Minuto Nutrição: Quais os efeitos colaterais que o câncer pode trazer para o organismo do Paciente?

Larissa Vaz Gonçalves: O Câncer provoca alterações metabólicas como às relacionadas com o metabolismo dos carboidratos, ácidos graxos e proteínas. Pode-se citar a intolerância à glicose, aumento de lipídeos circulantes, tendo também o consumo de reservas de gorduras e perda de massa muscular esquelética estimulado por citocinas.

Minuto Nutrição: Como é preparado o cardápio para o paciente?

Larissa Vaz Gonçalves: O cardápio é preparado com alimentos o mais in natura possível, ou seja, evita-se o uso de alimentos ultraprocessados. Além disso, são utilizadas quantidades mínimas de temperos como o sal, alho e outros devido a alterações do paladar que pode ocorrer nas fases do tratamento. Objetiva ofertar cardápios variados com quantidades adequadas de carboidratos, lipídeos e proteínas, além de fibras e água com características organolépticas satisfatórias das quais são percebidas pela cor, aparência, sabor e odor.

Minuto Nutrição: Quais os principais nutrientes que devem ser inseridos no dia a dia do paciente?

Larissa Vaz Gonçalves: O cardápio deve ser composto por alimentos coloridos uma vez que cada cor representa uma funcionalidade bioquímica no organismo. Temos como exemplo o ácido elágico, é um composto fenólico que está presente nas frutas vermelhas (morango, framboesa, romã) e algumas sementes (nozes e avelã), que possui a função antioxidante, anti-inflamatória, antimicrobiana e anticarcinogênica.

Minuto Nutrição: Quais são as restrições alimentares?

Larissa Vaz Gonçalves: Deve-se reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e evitar carnes processadas principalmente como salsichas e salames, visto que contem nitritos e nitratos que são conservantes os quais formam nitrossaminas, estas possuem características oncogênicas.

Minuto Nutrição: Qual é a importância de uma alimentação saudável?

Larissa Vaz Gonçalves: A alimentação saudável faz com que haja manutenção do peso corporal adequado, o que é salubre, pois estudos encontraram que o excesso de peso aumenta o risco para o câncer de mama e, se a gordura for concentrada na região abdominal o risco triplica a chance. Além disso, uma alimentação saudável é rica em compostos bioativos que vão produzir efeitos metabólicos e fisiológicos benéficos à saúde.

Minuto Nutrição: Quais as principais queixas do paciente durante o processo da doença?

Larissa Vaz Gonçalves: As principais queixas são náuseas, ânsia, vômitos, alteração do paladar, perda de apetite, mucosite, dificuldade para engolir, diarreia, obstipação, anemia, baixa imunidade e, algumas pacientes com câncer de mama ganho de peso e retenção de líquidos devido ao uso de corticoide e hormonioterapia.

Minuto Nutrição: Quais são as etapas para o processo de recuperação caso haja desnutrição do paciente com câncer? E o que fazer para não chegar a esse ponto?

Larissa Vaz Gonçalves: Sabe-se que a desnutrição e desordens metabólicas podem estar presentes e agravar nas fases do tratamento o que impacta negativamente o prognóstico da doença. O cálculo e a oferta adequada da necessidade nutricional é o primeiro passo, posteriormente realiza-se o acompanhamento para avaliar o consumo alimentar, podemos nos dirigir ao seguinte questionamento: "o que está ofertando é o que realmente o paciente está consumindo?", é verificado por meio de registros alimentares e, se a ingestão via oral for inferior a 70% das necessidades nutricionais inicia suplementação via oral e, se a ingestão via oral com ou sem suplementação for inferior a 60% ou a não ingestão de nenhum alimento por mais de duas semanas recomenda-se a terapia nutricional enteral. O quanto antes possuir acompanhamento nutricional melhor é ao paciente, uma vez que já instalada a caquexia oncológica, a terapia nutricional não consegue recuperar o estado nutricional.

Minuto Nutrição: Existem casos de pacientes que perdem a vontade de se alimentarem? Qual é a melhor maneira de lidar com esse processo?

Larissa Vaz Gonçalves: Sim, em alguns casos pacientes perdem a vontade de se alimentar. De cunho nutricional recomenda-se para que outra pessoa prepare o alimento para que o paciente não sinta o cheiro da comida na hora do seu preparo, utilizar temperos naturais, fracionar mais as refeições, comer em quantidades pequenas, evitar beber muito líquido junto às comidas mais sólidas. Espremer um limão na comida ou até na água gelada pode ajudar, pois o limão ajuda a aumentar a salivação.


Minuto Nutrição: Sabemos que o nutricionista tem um papel fundamental no ramo da oncologia, para você como profissional da área, como é seu sentimento em atuar neste campo?

Larissa Vaz Gonçalves: O amor à profissão faz com que posso cada dia mais contribuir com o sucesso do tratamento, diminuir os efeitos colaterais provocados principalmente pela quimioterapia e radioterapia e melhorar o estado nutricional dos pacientes. Entretanto, faço pesquisa em nutrição e câncer de mama o que torna gratificante contribuir para a sociedade científica divulgando os resultados a fim de amparar políticas públicas de saúde na prevenção do câncer de mama.

Por Raquel Lima