Não está relacionado com a quantidade, nem com as horas da refeição. É algo bem mais simples. Quando se segue uma alimentação equilibrada e variada durante todo o dia e, mesmo assim, não se consegue emagrecer, o problema só pode estar nas coisas mais simples. Há um erro básico que muita gente comete às refeições e não está relacionado com aquilo que tem no prato.

Acredite ou não, a forma como come também tem impacto no processo de perda de peso, tanto que quem mastiga demasiado depressa pode colocar em causa os resultados. Comer rápido faz com que os alimentos sejam ingeridos sem serem bem mastigados, o que dificulta a digestão. Mas há mais um problema: o facto de os alimentos chegarem ao intestino sem estarem devidamente digeridos favorece a prisão de ventre e o inchaço abdominal.

"Demoramos uns 20 minutos desde que começamos a comer até nos sentirmos satisfeitos. Se almoçarmos em 15, o nosso cérebro ainda nem sabe que já está a comer e nós já estamos a pedir uma sobremesa porque o prato não nos deixou saciados", diz a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT "Loveat".

Além disso, ao comer devagar consegue sentir a sensação de saciedade e, consequentemente, ingere menos quantidade de comida. Neste caso, o truque é pousar os talheres entre garfadas e mastigar cada porção de comida que colocar na boca sete a dez vezes.

Uma investigação realizada no Hospital Pediátrico de Bristol, no Reino Unido, em 2015, analisou o efeito que comer devagar tem no que diz respeito à parte hormonal. Durante um ano, foram estudadas duas hormonas do sistema digestivo que circulam no sangue, relacionadas com os hábitos alimentares: a grelina, que dá a sensação de fome, e o peptídeo tirosina-tirosina (PYY), que promove a sensação de saciedade.

Naqueles 12 meses, dois grupos de jovens foram acompanhados. No final, foi comparado o índice de massa corporal (IMC) dos dois grupos e percebeu-se que aquele que tinha a velocidade da ingestão de alimentos controlada, tinha conseguido também uma redução significativa do IMC face à do grupo que apenas tinha mantido uma alimentação equilibrada e feito exercício físico.

Porque é que isto aconteceu? Segundo os investigadores, tem tudo a ver com a ligação entre o cérebro e o aparelho digestivo. O segundo emite um sinal em como está com fome ou se sente saciado — influenciado pelas tais hormonas. Ao mastigar calmamente, é comunicado ao cérebro de que se está a ficar saciado. Assim, não se sente necessidade de comer mais. Ou seja, ingere menos calorias e gordura, daí este erro ser associado incapacidade de emagrecer.

Além disso, refeições realizadas sob stress conduzem a uma ingestão calórica mais elevada, a um processo digestivo menos eficaz e a uma maior resistência à insulina, que é a hormona que reduz os níveis de glicémia (açúcar) no sangue. Por isso, neste caso, só depende de si. Basta estar atento e concentrado para que consiga mastigar mais devagar.

Carregue na galeria para descobrir outros seis erros simples, revelados pela nutricionista Maria Gama, autora blogue NiT "Põe-te na Linha", que comete todos os dias — e que não deixam que emagreça.

Fonte de texto: nit.pt