Já lá vão mais de quatro meses desde que prometeu, na noite de Passagem de Ano, que ia manter uma alimentação mais saudável e perder o excesso de peso. Portanto, está na hora da reflexão. Quantas dietas já experimentou? Há quantos anos anda a tentar levar uma dieta até ao fim?

Na verdade, uma dieta saudável não tem um final. A ideia é que os hábitos amigos da saúde (e do peso) comecem a fazer parte da sua rotina naturalmente. Ou seja, que já não os veja como uma obrigação mas como algo de que precisa para se sentir bem. Começar este processo é fácil — o problema é mantê-lo.

"Começamos super motivados mas, se surge alguma coisa na nossa vida, lá vêm os possíveis discursos: ‘Agora não estou preparado’ ou ‘tenho uma vida complicada e não tenho tempo para estas coisas’. Tudo isto pode ser verdade, mas não serve de justificação para começar a comer bolos e a beber sumos sem limites", alerta a nutricionista Maria Gama.

Para a autora do blogue NiT "Põe-te na Linha", aquelas frases são apenas desculpas. Porquê? Todos os dias, seja em casa, nos supermercados ou no café, existem sempre escolhas saudáveis.

Se quer fazer mais uma tentativa, tenha em conta as seis dicas sugeridas pela especialista para conseguir manter qualquer dieta e, se for o caso, emagrecer.

Passar fome não é solução
"Passar fome não é a solução para perder peso. Se por vezes a perda de peso já é uma dificuldade em termos psicológicos, quanto mais se passar fome. Não queira perder peso a todo o custo. É que mesmo que perca bastante num curto espaço de tempo, pode não ser sustentável a longo prazo", alerta Maria Gama.

Lembre-se: para emagrecer é fundamental que se alimente bem e que tenha prazer no que come, adaptando sempre às suas necessidades energéticas e ao seu dia alimentar. Ou seja, não tem de passar fome nem de privar-se de todos os alimentos. Isso só vai ser um fator para desistir de ser saudável e, muito provavelmente, para engordar, uma vez que vai acumular fome e acabar por comer doces ou outros alimentos processados por compulsão.

Defina metas
"Definir objetivos é uma forma de pensarmos naquilo que queremos manter, alterar ou melhorar. Desde que realistas e sustentáveis ao longo do tempo, estabelecer metas pode mesmo ajudar", aconselha à NiT.

Por exemplo, não vale a pena começar por querer perder dez quilos num mês ou começar a ir ao ginásio sete vezes por semana. Bem sabemos que ambas são possíveis, mas, se os resultados não forem logo os esperados, podem levar à desmotivação.

Portanto, criar metas reais é essencial. Pode definir fazer atividade física três vezes por semana; beber pelo menos cinco copos de água por dia; tomar o pequeno-almoço sentado à mesa três vezes por semana; realizar uma refeição sem sal (adicione especiarias e ervas aromáticas); não comer manteiga pelo menos um dia por semana; ir almoçar fora apenas duas vezes por semana (e levar a marmita nos restantes dias); comer mais devagar e demorar pelo menos 15 a 20 minutos a almoçar; ou comer duas peças de fruta por dia.

Siga um plano alimentar que faça sentido para si
De acordo com a autora do blogue NiT "Põe-te na Linha", o plano alimentar que é definido em consulta também tem de fazer sentido para o paciente. "Digo sempre: 'Antes de cumprirem o plano alimentar que definimos porque eu digo, têm de o cumprir porque tudo o que combinámos está de acordo com aquilo que querem'. Se não for assim, é mais difícil que tudo corra bem."

Não desmarque as consultas de nutrição
É comum procurar fazer dieta sem ajuda e ter como base apenas aquilo que se lê ou se ouve. Porém, isso são apenas extras que servem para estarmos mais alerta para as opções saudáveis e conscientes. O que é que acontece? Exclui imensas coisas da sua alimentação e não consegue perder peso. Resultado: pensa que não vale a pena. Contudo, o problema é que apenas não tem um plano personalizado, de acordo com os seus objetivos e preferências alimentares, daí ser tão importante ser acompanhado por um profissional de nutrição.

Há um pensamento que também pode comprometer os resultados: "Este mês não fiz nada, por isso, não vale a pena ir à consulta" ou "não perdi peso, o que é que vou fazer à consulta de nutrição?". Segundo a especialista, isto é meio caminho para que as coisas não corram bem. "A consulta de nutrição é um momento super importante para que exista uma conversa, motivação, um compromisso e a definição de objetivos", explica à NiT.

Crie um diário alimentar
Pode parecer uma dica demasiado básica mas é igualmente eficaz. Segundo a nutricionista, é uma ótima ferramenta e uma estratégia importante para que se possa controlar em termos alimentares. Ou seja, se escrever tudo o que come, desde o pequeno-almoço até à ceia, vai conseguir perceber que erros alimentares está a cometer durante o dia sem se aperceber. Assim, percebe mais facilmente os erros, o que correu bem e o que tem de alterar.

Diga adeus aos inimigos
Pode começar por retirar os inimigos de sua casa. Bolachas, gelados, batatas fritas, chocolates. Estes alimentos não devem fazer parte do nosso dia a dia.

"No meu caso, adoro queijo. Adoro mesmo. Qual é a solução para não o atacar quando chego a casa? Não ter em casa. Tenho apenas queijo fresco. Esta estratégia pode mesmo ajudar".


Fonte de texto: nit.pt