As pessoas veganas não consomem quaisquer produtos de origem animal, incluindo peças de vestuário, ou seja, nada que implique no sacrifício de animais. Já os vegetarianos também não consomem produtos que impliquem no sacrifício de animais, mas consomem produtos de origem animal provenientes de "coleta" tais como mel, ovos, leite e derivados. Estes últimos também são chamados de lacto-ovo vegetarianos.

Neste aspecto os vegetarianos devem observar se os animais produtores de ovos (aves) e leite (bovinos e caprinos) possuem durante sua criação a aplicação do conceito de "Bem-Estar Animal". Este é um conceito na qual o animal deve ter um "mínimo" de respeito durante sua criação. Assim, aves poedeiras não podem ser criadas em gaiolas minúsculas ou vacas leiteiras confinadas em espaços apertados e quentes, por exemplo. Atualmente no Brasil o Ministério da Agricultura (MAPA) possui várias normativas regulamentando este assunto.

Os veganos opta por uma alimentação livre de produtos de origem animal, consumindo apenas produtos vegetais. Como citado anteriormente este também passa pela restrição no vestuário, como produtos de couro, lã ou seda. Lembrando que os animais poupados não são apenas vertebrados, também invertebrados, pois a seda é produzida por uma larva de mariposa (Bombyx mori) e o corante carmim que é muito utilizado em cosméticos e alimentos, tais como sucos, gomas de mascar, são extraídos do pequeno inseto Dactylopius coccus.

Os alimentos veganos são todos aqueles que são obtidos única e exclusivamente de vegetais, não havendo nenhum sacrifício animal em qualquer etapa de seu processamento. Uma dieta vegana ou vegetariana equilibrada, deve promover uma oferta nutricional adequada. As dietas vegana ou vegetariana apresentam os benefícios de diminuir o consumo excessivo de energia e de substâncias associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas e ainda disponibiliza inúmeras substâncias ativas, como fitoquímicos e fibras. Estas dietas trazem inicialmente o benefício de reduzir a obesidade e o sobrepeso. Mas o consumo exclusivo de vegetais pode favorecer deficiências de nutrientes específicos. Apresentaremos à baixo alguns benefícios e riscos destas dietas.

BENEFÍCIOS:


Câncer de mama: Estudos sugerem que mulheres aderentes à estas dietas por muitos anos apresentam redução do risco de desenvolver câncer de mama associado ao consumo elevado de vegetais (frutas, legumes e soja). Uma possível explicação para a redução da ocorrência de câncer de mama em vegetarianas está fundamentada na diminuição da exposição estrogênica da mama, observada pela redução do nível sérico hormonal, pelos ciclos menstruais mais longos e pela menarca tardia.

Doenças cardiovasculares: As evidências mais fortes dos benefícios da dieta vegetariana estão relacionadas à redução do risco das doenças cardiovasculares e à mortalidade por doença coronariana, porque nesta dieta as pessoas apresentam menores níveis de colesterol total e de colesterol do tipo LDL (lipoproteína de baixa densidade), menor peso corporal e menor incidência de hipertensão e diabetes. Entre as possíveis explicações para esses benefícios estão o consumo reduzido de gorduras saturadas e a maior ingestão de fibras solúveis, grãos integrais, legumes, nozes e proteína de soja.

Diabetes: Os vegetarianos apresentam, aproximadamente, a metade do risco de desenvolver o diabetes, independentemente do peso corporal, da atividade física e de outros fatores associados à dieta. A maioria dos estudos comprovam que a abolição do consumo da carne animal e fatores relacionados à dieta vegetariana foram associados à redução do risco de desenvolvimento ou mesmo do controle do diabetes tipo 2, incluindo: a menor ingestão de gordura saturada e a maior de fibras, grãos integrais, legumes e nozes. Por exemplo: a substituição da carne vermelha por proteína de soja ou vegetal reduziu o risco de doença renal em pacientes com diabetes tipo 1 e 2.[p]
[p]Câncer de Cólon: Uma explicação para a redução do risco de câncer do cólon em vegetarianos seria o consumo elevado de fibras, acelerando o volume fecal que, por sua vez, aumenta a mobilidade intestinal, aumentando o trânsito de substâncias carcinogênicas e, portanto, diminuindo a superfície de contato e o tempo de exposição da mucosa a esses agressores. Adicionalmente, vegetarianos com ingestão rica em fibras, quando comparados a indivíduos com ingestão rica em carne, apresentam diminuição da proliferação de células colônicas, modificação do perfil bacteriano intestinal e diminuição da concentração de agentes mutagênicos, todos com potencial para reduzir o risco de neoplasias.


RISCOS:


Vitamina B12 (Cianocobalamina): Os vegetarianos e, em especial os veganos, apresentam, geralmente, redução do nível sérico de vitamina B12, que se agrava com a duração da dieta. Embora possa demorar anos, os vegetarianos estritos podem desenvolver sintomas de deficiência se não houver suplementação. A maioria dos pesquisadores concorda com a recomendação de consumo regular de fonte ativa de vitamina B12, por meio de alimentos fortificados ou de suplemento alimentar para todos os vegetarianos e, em particular, para os veganos e para as vegetarianas grávidas ou lactantes.

Cálcio: Estudos demonstram que a ingestão de cálcio em lacto--ovo vegetarianos não difere da ingestão de não vegetarianos, mas a ingestão de cálcio em veganos é menor. Da mesma forma, a densidade mineral óssea não difere entre lacto-ovo vegetarianos e não vegetarianos, mas em veganos é menor. Assim o risco maior de fraturas na população vegana com baixa ingestão de cálcio. Veganos podem encontrar alimentos com boa biodisponibilidade de cálcio nos produtos de soja fortificados e em inúmeros vegetais ricos em oxalato. Mas uma dieta rica em cálcio não adiantará em nada se for pobre em Vitamina D, pois esta é responsável pela absorção do cálcio. A Vitamina D presente no intestino liga-se ao cálcio e assim este pode ser absorvido pelo epitélio intestinal. Sem a presença desta vitamina, grande parte do cálcio pode ser perdido por não ser absorvido.

Um ponto importante que também deve ser discutido são os alimentos orgânicos. Não adiantará de nada uma alimentação vegana ou vegetariana na qual os vegetais estão contaminados por agrotóxicos. Ou para aqueles que ingerem mel, ovos, leite e derivados, estes estarem contaminados com antibióticos. A produção ou o Sistema Orgânico de Produção Animal e Vegetal é normatizado no Brasil pela Instrução Normativa nº 64/2008 do MAPA.

As propriedades onde serão produzidos os produtos com selo de certificação "orgânico" devem atender várias normas contidas na IN 64/2008. Estas iniciam-se na obrigatoriedade de preservação e conservação do ambiente e recursos naturais da propriedade rural até a proibição de utilização de várias substâncias como: fertilizantes químicos, praguicidas químicos para o controle de parasitos em animais e vegetais, antibióticos, hormônios.


Sobre o autor: Saulo F. M. Carvalho é Doutor em Ciência Animal pela EVZ/UFG e coordenador do MBA Gestão da Qualidade, Produção e Higiene de Alimentos do INCURSOS.

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