O chef francês, Laurent Suaudeau, nasceu no Vale do Loire, arraigado no Brasil, é atualmente um dos chefs da gastronomia mais renomado do país. Sua formação na França foi extremamente aberta, trabalhou em conjunto com um dos maiores cozinheiros da França e ícone mundial da gastronomia, Paul Bocuse, falecido aos 91 anos, em janeiro deste ano.


Hoje com 61 anos, Laurent conta que seu trabalho começou desde os 14 anos, para ele a cozinha não se limita a receita, e explica que para ser um bom cozinheiro é necessário entender o que está fazendo. Para isso existe uma formação, no qual a cozinha sempre foi um instrumento de trabalho e conceito.

"No Brasil as pessoas têm que começar a entender que cozinha não é receitinha, para se tornar um grande profissional tem que ter uma formação adequada e você não se forma com 2 anos ou 6 meses para se tornar um cozinheiro", diz. Segundo ele, a formação acadêmica passa obrigatoriamente por campos de aprendizagem, em que se aprende a executar ao lado de quem sabe fazer.


Laurent ganhou vários prêmios, como título e honraria, teve um restaurante criado em 1986, considerado o melhor restaurante do Rio de Janeiro, foi fechado em 2005, se dedicando exclusivamente a sua escola de gastronomia e jantares corporativos para os clientes. Apesar disso, não deixou de realizar pratos que fizeram grandes sucessos, como nhoque de milho verde, creme parmesão, creme de aipim com maracujá, entre vários outros pratos.

"Tudo no meu trabalho sempre foi uma interpretação do meu conhecimento da escola francesa a ser interpretado com produto invasivo", explica.


De acordo com o chef, a gastronomia faz parte da cultura brasileira, graças ao trabalho de alguns chefs antigos que mostraram realmente que quando se trabalha na gastronomia existe uma causa econômica, turística, social, cultural e educacional.


"É muito importante definir quem é você em relação no qual está comendo, se está acostumado a comer determinada cozinha atípica com os produtos regionais, tem mais que incentivar uma produção qualitativa daquele produto, para ajudar a desenvolver uma cozinha regional de qualidade que poderá atrair muita gente a reconhecer essa região", afirma.


Para ele, a grande dificuldade hoje é a formação, tendo também uma situação mais dramática na área dos garçons, Laurent explica que para ser garçom, precisa aprender a servir, ter postura, entender o que está sendo servido.


"O garçom representa hoje no mercado no mínimo 80%, é grave, porque vem um turista e está comendo alguma coisa, e gostaria de entender o que está comendo, a resposta que eu vejo por aí como consumidor é a dá licença que vou para cozinhar e vou perguntar. Ou seja, ninguém sabe o que serve, só estão ali para tirar dinheiro do cliente. Então precisa reformular o futuro tempo da gastronomia, na realidade é pé no chão e mais trabalho", conta.

Para quem está começando agora no mundo da gastronomia Laurent faz um alerta, em que é preciso ter humildade, e saber que o trabalho é muito difícil, é uma profissão extremamente complexa, e poucos jovens hoje infelizmente aguentam, pois fisicamente é complicado, e mentalmente complexo.


"Servir aos outros é complicado, e eu percebo que muitos dos jovens que escolhem a gastronomia é porque está na moda. Sai fora muito rápido, porque não aguenta uma palavra que pode ser um pouco grosseira", argumenta.

Sua principal inspiração é gostar de servir os outros. "Não é de servir da cozinha para se promover, a promoção quem faz é o cliente, o seu trabalho não", enfatiza Laurent.


Recentemente Laurent foi convidado para participar nesta sexta-feira (7) do Enchefs Goiás, um encontro que reuni chefs de todo o Brasil, realizando uma palestra e explicando o quanto é importante em fortalecer a cozinha regional dentro de um conceito da cozinha nacional.


Autor: Raquel Lima.
Fonte de imagem: Google