Os distúrbios alimentares não são um problema que ocorre apenas com mulheres. Os homens também podem sofrer de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e transtorno de compulsão alimentar. Por mais que isso pareça "óbvio" para alguns, o equívoco em acreditar que esse tipo de doença só ocorre entre mulheres é mais comum do que se pensa, e faz com que os homens percebam os distúrbios e procurem tratamento de modo tardio, quando a doença já está em um estado mais avançado.

Os sinais que apresentam a doença podem passar despercebidos por entes queridos, pessoas próximas e até profissionais de saúde que por vezes não dão devida atenção a eles. Isso, aliado a um pensamento errado, impede que os garotos/homens reconheçam a doença e busquem ajuda. Consequentemente, os homens se tornam mais doentes à medida que o tempo passa.

Um estudo de 2011 da "National Eating Disorders Association" relatou que cerca de 20 milhões de mulheres sofrem de algum transtorno alimentar em algum momento da vida, mas cerca de 10 milhões de homens também passam pelo mesmo problema. Sendo assim, para cada 2 mulheres que sofrem de transtorno alimentar, um homem também está lutando contra o problema.

Muitos familiares e ativistas demonstram preocupação em relação ao "padrão de beleza" imposto pela mídia sobre as mulheres, que acabam definindo a autoestima e pressionando-as para se vestirem de determinada maneira e terem um corpo que, muitas vezes por motivos biológicos, não é o mais adequado para uma determinada mulher.

No entanto, os meninos e homens também sofrem pressão devido aos estereótipos de homem fisicamente forte estabelecido pela mídia. Muitos se esforçam demasiadamente para terem um corpo atlético de modo inadequado, com dietas radicais e exercícios pesados, muitas vezes praticados de forma inadequada, sem saberem o modo mais saudável de atingirem seus objetivos. Esses "padrões" impostos também afeta a forma como os garotos e homens se sentem em relação a eles mesmos.

Tanto os homens quanto as mulheres que possuem comportamentos de transtornos alimentares, em sua grande maioria, admitem que o bullying e as provocações de terceiros foram um "gatilho" para o desenvolvimento da doença.

"Pais, profissionais de saúde e até mesmo funcionários da escola estão agora reconhecendo que os distúrbios alimentares não são específicos de gênero", afirma Nancy Farrell, porta-voz da "Academy of Nutrition and Dietetics" (Academia de Nutrição e Dietéticos, em tradução livre). "Conheça os sinais de alerta, já que a detecção e a intervenção precoce levam aos melhores resultados de saúde".

Os sinais de que um homem ou adolescente tem um transtorno alimentar podem incluir a obsessão relacionada à forma do corpo, músculos e imperfeições. Outros indicadores adicionais incluem o uso de esteroides anabolizantes, excesso de tempo gasto em academias e de outros tipos de exercícios, sempre irem ao banheiro imediatamente após se alimentarem e uma rotina alimentar e de exercícios físicos extremamente rigorosa.

Distúrbios alimentares afetam a saúde emocional e física de um indivíduo. Muitos com distúrbios alimentares sofrem de depressão e abstinência social. Estes homens também podem experimentar constipação, distúrbios eletrolíticos, frequência cardíaca irregular, erosão do esmalte dental e baixos níveis de testosterona.

Se você tem problemas com sua alimentação, procure ajuda, ainda que você não saiba se seu problema se qualifica como transtorno alimentar. Se você está preocupado com alguém que você conhece e teme que essa pessoa sofra de algum transtorno alimentar, não ignore nem pense que a pessoa melhorará por conta própria. Converse com a pessoa sobre suas preocupações e veja o que ela pensa sobre isso. Entenda que o principal problema não está no alimento consumido, então simplesmente iniciar outra dieta não é a solução. Os padrões alimentares perigosos vistos como distúrbios alimentares são sintomas de problemas psicológicos.

A equipe responsável pelo tratamento de pessoas com transtornos alimentares deve envolver profissionais em saúde mental, nutrição e médicos. Se um amigo ou membro de sua família reconhece ter o problema, mas não sabe o que fazer a respeito, ajude-o a procurar um especialista. Se ele nega o problema, tente conversar com ele novamente, em uma outra ocasião, e não deixe de aprender tudo o que puder sobre transtornos alimentares, e faça uma consulta com um especialista para conversar sobre suas preocupações e obter apoio adequado.


Fonte de conteúdo: Eat Right
Fonte de imagem: Google