Um novo estudo, com um programa de alimentação de alta precisão aplicado em ratos de laboratório, reforça a ideia de que a perda de peso envolve muitas questões que vão bem além do número de calorias ingeridas em nossa alimentação diária.

Os ratos que se alimentaram somente nos horários considerados adequados (em ciclo ativo), foram os únicos entre os cinco grupos submetidos ao estudo que perderam peso, apesar de consumirem a mesma quantidade de alimento que os outros grupos, que foram alimentados em horários de diversos de descanso ao longo do dia, de acordo com o estudo da "UT Southwestern Medical Center".

"Traduzido para o comportamento humano, esses estudos sugerem que a dieta só será eficaz se as calorias forem consumidas durante o dia, enquanto estamos acordados e ativos. Além disso, sugere que comer no momento errado, durante a noite, não levará à perda de peso, mesmo quando a pessoa estiver fazendo dieta", disse o Dr. Joseph S. Takahashi, presidente de neurociência no "UT Southwestern's Peter O'Donnell Jr. Brain Institute".

Usando sensores de alta tecnologia e equipamentos de alimentação automatizados, os cientistas desenvolveram o sistema de alimentação para ajudar a responder a difícil questão de por quê as dietas com restrição de calorias melhoram a longevidade. Eles afirmam que o novo conjunto de ferramentas já ofereceu novas evidências sobre o assunto.

Entre as descobertas, os cientistas documentaram que os camundongos sob a dieta que restringia os horários de alimentação durante o dia se tornaram inesperadamente mais ativos, lembrando que os ratos possuem normalmente hábitos noturnos. Esses dados revelam relações antes desconhecidas entre alimentação, metabolismo e comportamento.

"Sabe-se há décadas que a restrição calórica prolonga a vida útil em animais, mas esse tipo de estudo é muito difícil de se conduzir, porque exigem a alimentação manual dos participantes ao longo de muitos anos", explica Takahashi.

Além de afetar o peso, os cientistas acreditam que o momento do consumo de alimentos afeta os ritmos circadianos e pode ser o caminho pelo qual os hábitos alimentares influenciam na vida útil. O estudo reforçou essa noção testando os ciclos dia / noite de camundongos sob diferentes horários de alimentação.

Dois grupos de ratos que foram alimentados nos momentos errados durante o ciclo normal do dia/noite, os que ingeriam 30% de calorias a menos e outros com acesso ilimitado aos alimentos durante o dia, permaneceram ativos à noite, sugerindo que eles podem ter desenvolvido privação crônica do sono.

Este é um fator especialmente importante para os cientistas considerarem em pesquisas futuras, já que muitos estudos de redução de calorias envolvem apenas alimentação diurna, o que é o momento errado para ratos, que possuem hábitos noturnos. Além do momento da ingestão de alimentos, a pesquisa que examina os efeitos da redução de calorias na vida útil pode ser distorcida por fatores ocultos, como falta de sono e ritmos circadianos dessincronizados.

Takahashi afirma que o sistema automatizado desenvolvido para este último estudo ajudou sua equipe a resolver esta questão e outras variáveis confusas que inibiram pesquisas anteriores, incluindo a quantidade variada de alimentos fornecidos e a rapidez com que é consumido.

Fonte de conteúdo: Science Daily
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