O que chamamos de intolerância alimentar ocorre quando o nosso corpo tem dificuldades para digerir determinada substância presente nos alimentos, mas alguns mitos sobre o assunto acabam surgindo e gerando dúvidas.

Veja 6 fatos com comprovação científica sobre a intolerância alimentar:


1- A intolerância alimentar pode ser confundida com alergia
As reações físicas à comida não são raras, mas quase sempre se trata de uma intolerância, e não de alergia. Porém, como os sintomas dos dois problemas são semelhantes, acontece uma certa confusão entre os males, o que pode atrasar o diagnóstico.
"Alergia é a resposta imunológica do organismo ao reconhecer algo que julga prejudicial e digno de combate. A intensidade independe da quantidade de substância "inimiga" ingerida. Resulta em coceira na pele, na garganta e nos olhos e inchaço no rosto, entre outros sintomas. Já a intolerância, segundo a médica Ariana Yang, do Ambulatório de Alergia Alimentar do Hospital das Clínicas de São Paulo, é a incapacidade de metabolizar um alimento por deficiência ou ausência da enzima necessária para isso. Nesse caso, quanto mais comer o que faz mal, pior".

2- Não é uma doença grave
A alergia pode levar a reações sérias e fatais, como um edema de glote, que é um inchaço que faz cessar a respiração. A intolerância, por sua vez, não é perigosa, mas causa desconfortos digestivos, como cólicas, gases, diarreias e náuseas, podendo os sintomas surgirem horas ou até dias após o consumo da substância intolerada. A intensidade dos sintomas varia não só pela quantidade do alimento ingerido, mas também pela quantidade de enzimas essenciais para a digestão que é produzida por cada pessoa. Segundo o gastroenterologista Jaime Zaladek Gil, se o foco do problema é eliminado da dieta, os incômodos da intolerância alimentar somem, já os danos causados por alergias demoram a desaparecer.

3- Acontece com todos em algum momento
A intolerância mais comum é a causada pela hipersensibilidade à lactose, o que atinge quase 70% dos brasileiros em algum momento da vida. Um grupo de especialistas também defende que, em graus diferentes, todo mundo apresenta alguma reação alimentar adversa pelo menos uma vez na vida. Quem tem o costume de ingerir determinado alimento em demasia, por exemplo, pode ter dificuldades de digestão desse alimento em algum momento, gerando um episódio. "Outros fatores, no entanto, podem tornar a pessoa intolerante. De acordo com o gastroenterologista Jaime Gil, existe o risco de infecções ou cirurgias que encurtam o intestino fazerem o corpo perder a capacidade de absorver determinada substância".

4- É possível comer o que causa a intolerância
Na alergia é essencial banir o consumo do agente causador, mas no caso da intolerância quase sempre é possível manter seu consumo em pequenas porções sem maiores desconfortos. No entanto, é importante descobrir, por tentativa e erro, o quanto seu organismo consegue aceitar um alimento sem que aconteça a intolerância. A exceção é a intolerância ao glúten, presente em pães, biscoitos, macarrão e outras massas à base de trigo. Aí a restrição total é obrigatória, pois o consumo dessa proteína por quem não a digere bem pode causar câncer de intestino".

5- O leite não é o único responsável pela intolerância.
A intolerância à lactose é de fato a mais comum e, normalmente, não se apresenta no começo da vida, quando o organismo produz em quantidade adequada a enzima necessária para metabolizar esse açúcar, mas ao longo do tempo o corpo frequentemente vai perdendo a capacidade de produzir lactase e os desconfortos comecem a surgir. Tal fato pode correr ainda na infância, mas mais frequentemente na fase adulta. Contudo, o leite não é o único responsável por intolerâncias, nem o glúten. "Os sulfitos (substâncias conservantes usadas nos vinhos), as tiraminas, presentes em queijos e chocolates, e os corantes são fontes frequentes de intolerância. E, relembrando, qualquer alimento consumido em excesso pode provocar mal-estar no sistema digestivo. "

6- É possível passar anos sem um diagnóstico
Como os sintomas podem ser vagos e nem sempre contínuos, já que acontecem em intensidades diferentes, há quem passe anos ou mesmo a vida inteira sem sabe a causa de desconfortos gastrointestinais, segundo a alergista Ariana Yang. "Ao desconfiar de que é intolerante a algo, pesquise, com base em observação e testes, se existem comidas específicas que disparam os sintomas. Em seguida, procure um médico para obter um diagnóstico preciso. Manter um diário alimentar vai ajudá-la a fazer sua parte. Com as anotações, será fácil identificar o que as refeições dos dias em que a indisposição surge têm em comum. Outra maneira eficiente de achar o que faz mal é, aos poucos, excluir os alimentos suspeitos da dieta até se livrar do mal-estar. Depois, reintroduza-os, um a um, para se certificar de qual deles acende a luz vermelha".

Fonte de conteúdo: Revista Claudia

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